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O Sentido da Vida
 


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CONDIÇÃO HUMANA


QUEM SOMOS?
Os Seres Humanos; a Condição Humana


PERSPECTIVAS TRADICIONAIS - DEFINIÇÃO DO HOMEM

O homem foi definido no passado, de muitas maneiras.
O Livro da Sabedoria adopta uma definição descritiva e quase poética do ser humano.
O Génesis adoptou uma visão mais convencional, em que o homem surge como um ser acima da demais vida terrestre, com o direito de dominar os demais seres.
Píndaro, há dois mil e quinhentos anos, definiu o homem numa perspectiva dualista, na sua contradição sombra-luz.


Sou um descendente do primeiro homem que foi formado na Terra, sou o que no ventre de uma mãe foi feito carne. Sou aquele que durante dez meses ganhou corpo no sangue; sou a parte do sémen do homem e do prazer conjugal.
Bíblia, Livro da Sabedoria


Depois, Deus disse: «Façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa semelhança, para que domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre todos os animais domésticos e os répteis que rastejam na Terra».
Bíblia, Génesis.


Coisas de um dia – é o que somos, e o que é que o não é? O homem é um sonho de uma sombra. Mas quando uma abençoada claridade acontece, pousa sobre os homens uma luz radiante, e a vida serena.
Píndaro, 518-438 a. C., poeta lírico grego, Pythian Odes   


Ver também:
Brevidade da vida

 

PERSPECTIVAS CIENTÍFICAS DE DEFINIR O HOMEM
Os seres humanos

Para muitos cientistas somos seres com comportamentos e horizontes largamente determinados pelos genes. 


Somos máquinas de sobrevivência - veículos robotizados cegamente programados de modo a  preservarmos as moléculas egoístas a que chamamos genes. Essa é a verdade que me enche de espanto.
Richard Dawkins, sociobiólogo inglês, The Selfish Gene


Eles estão em si e em mim; eles criaram-nos, corpo e mente; e a sua preservação é o fim último da nossa existência racional… Eles dão pelo nome de genes, e eles são as nossas máquinas de sobrevivência.
Richard Dawkins, sociobiólogo inglês, The Selfish Gene


Quase todos os aspectos da vida são determinados a um nível molecular, e sem o conhecimento das moléculas apenas podemos ter uma compreensão muito esquemática da vida.
Francis Crick, biofísico associado à descoberta do ADN, What Mad Pursuit 
 

Ver também:
Ciência e sentido da vida
O Homem e o Universo



PERSPECTIVA SOCIOLÓGICA
Os seres humanos

Somos seres sociais e culturais, largamente dominados pelas ideias e sonhos que comungamos.


Todo o homem, vá ele para onde vá, é acompanhado por uma nuvem de confortáveis convicções, que o seguem como moscas num dia de Verão.
Bertrand Russel, 1872-1970, filósofo e matemático inglês, Marriage and Morals 


Estamos nas mãos desses deuses, desses monstros, desses gigantes: as nossas ideias.
Victor Hugo, 1802-1885, escritor francês, Quatre vingt-treize  


Não é apenas pela sua sociedade e pela sua cultura que os indivíduos são subjugados; são-no também pelos seus deuses e pelas suas ideias.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


Ver também:
A vida é sonho
 


PERSPECTIVA HUMANISTA
Os seres humanos

O homem é um ser racional, dotado de dignidade, capaz de se elevar e aperfeiçoar. Pico della Mirandola, um grande humanista do Renascimento, expressa de uma forma magistral esta visão já esboçada anteriormente por alguns filósofos e escritores antigos.


A humanidade encontra-se suspensa a meio caminho entre os deuses e os animais.
Plotino, 204-270, filósofo neoplatónico egípcio, citado por C. Sagan, em Os dragões do Éden


Todos os animais se inclinam para baixo, fitando com os olhos o chão, mas ao homem deu Deus a face erguida, o porte erecto e os olhos ao céu elevados.
Ovídio, 43-17 d. C, escritor romano, Metamorphoses


Se vires alguém abandonado aos seus apetites, rastejando no chão, é uma planta que vês e não um homem.
Picco della Mirandola, 1463-1491, humanista italiano, Oration On The Dignity Of Man


Ao homem, e só a ele, Deus deu as sementes e germes de todas as formas de vida. E são as sementes que cada homem cultiva que amadurecerão e darão nele o seu fruto. Se forem vegetativas, será como uma planta. Se sensitivas, tornar-se-á brutal. Se racional, crescerá como um ser divino. Se intelectual, será como um anjo e filho de Deus.
Picco della Mirandola, 1463-1491, humanista italiano, Oration On The Dignity Of Man

Comentário
Os seres humanos


Ver também:
O Homem e o Universo
 
 

VISÕES FILOSÓFICAS DO HOMEM
Os seres humanos

A filosofia vinca as contradições e limitações humanas, o nosso lado animal e simultaneamente espiritual, as nossas ligações ao restante mundo natural, as nossas ilusões, e a nossa pequenez… Para autores como Pascal o homem é simultaneamente espírito e autómato.


O que é o homem, no seio da Natureza? Um Nada comparado ao infinito, um Tudo comparado ao Nada, algo intermédio entre o nada e o tudo. Somos incapazes de ver o Nada de que somos feitos e o Infinito em que estamos engolidos.
B. Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês, Pensamentos   


Ardemos de desejo de encontrar um terreno sólido para ultimar uma fundação segura onde construir uma torre que chegue ao Infinito. Mas todas as nossas infra-estruturas rebentam, e a Terra abre-se em abismos.
B. Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês, Pensamentos   


Que quimera é o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que sujeito de contradição, que prodígio! Juiz de todas as coisas, verme imbecil; depositário da verdade, fossa de incerteza e de erro; glória e nojo do universo. Quem é capaz de deslindar esta embrulhada?
B. Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês, Pensamentos    


Somos marionetas manobradas por mãos desconhecidas. Não passamos de espadas com que os espíritos combatem.
G. Buchner, 1813-1837, escritor alemão, citado por E. Morin, Método V


Tudo o que ameaçava o homem das cavernas, perigos, trevas, fome, sede, fantasmas, demónios, tudo passou para o interior das nossas almas, tudo nos inquieta, nos angustia, nos ameaça por dentro.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


Os nossos espíritos são ultrapassados pela insustentável complexidade do mundo.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


O homem é um ser possuído pelos espíritos e pelos seus deuses, um ser que se alimenta de ilusões e de quimeras.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


Carregamos no seio da nossa singularidade, não apenas toda a humanidade, toda a vida, mas também todo o cosmos, incluindo o seu mistério, presente no fundo dos nossos seres.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


Os fenómenos e as leis que o homem descobre na natureza, são as mesmas que lhe deram origem, as mesmas que os neurónios do seu cérebro utilizam para conhecer alguma coisa. Quando o homem pensa, é a realidade que pensa e vê sons. 
Hubert Reeves, astrofísico franco-canadiano, em Abordagens do real; edição portuguesa D. Quixote


Que coisas pequenas nós somos, quão fracos e quão desditosos! A humanidade revela-se uma patética criação.
A. Compte-Sponville, filósofo francês, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes


Todos somos como os seres humildes o são: solitários, nus, e abertos e expostos ao amor e à luz.
A. Compte-Sponville, filósofo francês, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes


Irmãos humanos que depois de nós viveis: não tenhais um coração duro para connosco; tende sim piedade de nós, para que também Deus tenha misericórdia de vós.
François Villon, século XII, poeta francês, Ballade des pendus


Comentário
Os seres humanos


Ver também:
Filosofias de vida
Felicidade
A brevidade da vida
A vida é sofrimento
A vida é sonho
Humor sobre as nossas vidas
Pensamento existencial
Poemas sobre a vida
 


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OS SERES HUMANOS 


 

Acima: Detalhe hindu - Rahda Krishna
À sua maneira, esta pintura alude ao carácter intricado, plural e contraditório da natureza humana.


Comentário
Os seres humanos

O homem continua largamente desconhecido de si mesmo.

Quem somos, no fundo de nós, por detrás das nossos nomes, das nossas opiniões convencionais, daquilo que fazemos na vida, por detrás daquilo que vemos nos outros e os outros vêem em nós, e mesmo por detrás daquilo que a ciência diz de nós?

Será que o homem é o louco sobre quem Jung ironizava, ao pedir para que lhe dessem um homem, para que ele o pudesse curar? Será que o homem é o Dr. Jerkyll que encerra dentro de si um Mister Hyde criminoso, e mais do que uma personalidade, e sentimentos contraditórios.

Será que «somos as coisas de que são feitos os sonhos», de que falava Shakespeare. Será que nos podemos elevar e transformar nos seres dotados de dignidade de que falava Pico de la Mirandola: «São as sementes que cada homem cultiva que amadurecerão e darão nele o seu fruto. Se forem vegetativas, será como uma planta. Se sensitivas, tornar-se-á brutal. Se racional, crescerá como um ser divino. Se intelectual, será como um anjo e filho de Deus»?

Spencer, ao caracterizar os indígenas do Leste Africano, há quase dois séculos, identificou facetas contraditórias que muitos autores identificam na natureza humana: «Tem simultaneamente bom carácter e coração duro; é batalhador, consciencioso, bom em determinado momento, cruel, impiedoso e violento noutro; supersticioso e grosseiramente irreligioso; valente e pusilânime, servil e dominador, teimoso e ao mesmo tempo volúvel, atido a pontos de honra, mas sem sinais de honestidade nos actos, avaro e económico, mas irreflectido e imprevidente.»

É provavelmente uma boa definição para um certo homem primitivo. Só que também somos seres culturais e seres éticos.

Somos capazes de mudar os nossos valores e comportamentos. Como diz William James, os seres humanos podem mudar as suas vidas pela alteração das suas atitudes mentais.

Podemos crescer eticamente. Podemos dominar parte dos nossos instintos e pulsões genéticas. E por isso podemos tornar-nos diferentes dos indígenas africanos descritos por Spencer.

Mais: o nosso pensamento dignifica-nos («Não é no espaço que devo procurar a minha dignidade, mas na direcção do meu pensamento», Pascal). Somos a consciência e o produto mais elaborado do Universo.

Como diz Edgar Morin, «Carregamos no seio da nossa singularidade, não apenas toda a humanidade, toda a vida, mas também todo o cosmos, incluindo o seu mistério, presente no fundo dos nossos seres». Somos seres criadores. Tudo passa pelo nosso cérebro, pelo nosso espírito. É ele que fabrica as verdades e os erros, e o que há de mais sublime no mundo.

E no entanto, o mal e a estupidez não deixam de estar presentes em nós. Às vezes caímos, somos agredidos, a vida revela-se cruel, e podemos pensar como Mark Twain e dizer que foi uma pena que Noé não tivesse chegado atrasado à arca.

No fundo encerramos em nós, também, a crueldade e a desumanidade da vida. Darwin mostrou que descendemos de formas de vida inferiores: o homem foi em tempos «arbusto e ave, e um peixe silenciosamente nadando nas águas», para usar a linguagem que Empédocles usou nas suas Purificações.

Numa perspectiva genética e evolucionista, encerramos em nós os reflexos de sobrevivência e de agressividade das formas de vida que nos antecederam. «Tudo o que ameaçava o homem das cavernas, perigos, trevas, fome, sede, fantasmas, demónios, tudo passou para o interior das nossas almas, tudo nos inquieta, nos angustia, nos ameaça por dentro» (Morin).

Acresce que somos também seres que podem diferir significativamente uns dos outros. Somos iguais, mas também diferentes. «O despertar envolve um mundo comum, mas o sono desvia cada um para o seu próprio mundo», diz, a propósito, um tanto enigmaticamente, Heraclito, que também achava que não deixamos de dormir, de viver num mundo ilusório, mesmo quando acordados.

Por todas estas razões, a célebre definição de Pascal do ser humano, na sua linguagem dura, é sem dúvida uma das mais poderosas que podemos aplicar ao ser ainda tão desconhecido que não deixamos de ser para nós próprios: «Que quimera é o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que sujeito de contradição, que prodígio! Juiz de todas as coisas, verme imbecil; depositário da verdade, fossa de incerteza e de erro; glória e nojo do universo. Quem é capaz de deslindar esta embrulhada?»


 

 

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