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  O Sentido da Vida
 

 
  
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DOR, SOFRIMENTO E SENTIDO DA VIDA

A VIDA: SOFRIMENTO, CRUELDADE E DOR


O SOFRIMENTO PRESENTE NA VIDA - TRADIÇÕES ANTIGAS


A filosofia oriental acentua abundantemente o elemento cruel da vida. Para taoistas, budistas ou para o jainismo hindu, a vida é sofrimento. Um pouco na mesma linha, a bíblia e certas tradições cristãs sublinham também a dor presente na vida.


Viver é sofrer.
Pali Tripitaka, colecção budista de textos sagrados, Vinaya


A Nobre Verdade do Sofrimento é esta: nascer é sofrer, envelhecer é sofrer, adoecer é sofrer, a morte é sofrer; pesares e lamentações, dor, preocupação e desespero são sofrimento; associação ao desagradável é sofrimento, dissociação do prazer é sofrimento; não se ter o que se quer é sofrimento…
Pali Tripitaka, colecção budista de textos sagrados, Sutta-Nipata


Como todos, ao nascer, respirei o ar comum. Como todos, caí numa Terra de sofrimento. Como todos, a primeira coisa que fiz foi chorar.
Bíblia, Eclesiastes


Atirar-te-ão pedras e elas ferir-te-ão. A vida não é um negócio fácil. É um longo caminho em que estás mergulhado: e não podes evitar os passos em falso, os golpes e quedas, e de sentires cansaço e de abertamente desejares – mentindo a ti mesmo – a morte.
Séneca,  4 a.C.-65 d. C., filósofo romano, Epístolas a Lucílio 


Num lugar dirás adeus ao teu companheiro, a seguir enterrarás outro, e todas as vezes terás medo. Este é o tipo de coisas com que te defrontarás ao longo de toda a difícil caminhada que é a vida.
Séneca,  4 a.C.-65 d. C., filósofo romano, Epístolas a Lucílio 


Comentário
Vida, sofrimento e sentido


A NATUREZA É CRUEL

Não podemos escapar ao mal e à crueldade do mundo, proclamam múltiplas reflexões sobre a vida. A crueldade está também no homem, que incorpora em si a crueldade da vida e a inevitabilidade de matar ou ser morto.


Mãe que fazes tremer e chorar desde o nascimento a família dos seres animais; Natureza, monstro indigno de louvor, que crias e alimentas para matar, diz-me: se a morte prematura de um mortal é um mal, por que a infliges aos inocentes?
G. Leopardi, 1798-1837, escritor italiano, Poésis, Le Coucher de la Lune


A realidade é cruel para o ser humano, lançado sobre a Terra, ignorando o seu destino, submetido à morte, não podendo escapar aos lutos fatais, às vicissitudes da sorte, ao sofrimento, servidões e maldades.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


A realidade reveste-se de características horríveis. O ser humano está entregue à crueldade do mundo.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


A crueldade entre homens, indivíduos, grupos, etnias, religiões, raças, é aterradora. O ser humano contém em si um ruído de monstros que liberta em todas as ocasiões favoráveis. 
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Os meus demónios


Comentário
Vida, sofrimento e sentido



Como combater a crueldade da vida?

A fé, a arte, a recusa do materialismo e as nossas atitudes mentais, são formas de suportar e ultrapassar a crueldade do mundo e de se ser feliz.


O ser humano está entregue à crueldade do mundo. Daí a necessidade de um compromisso, que se obtém mobilizando o mito para encontrar os confortos sobrenaturais, mobilizando o imaginário para nele abrigar a alma e mobilizando a estética e a poesia para viver plenamente a realidade.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


A fé religiosa, tal como a fé numa ideia, é uma força profunda que ajuda a suportar e a combater a crueldade do mundo.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


Aqueles que fruem a ocasião e o momento e vivem de acordo com o curso da natureza, não são afectados pela tristeza ou pela alegria. É o que os antigos chamam libertação da sujeição.
Tchuang-Tseu, filósofo chinês ligado ao taoísmo, século III ou II a. C., Book of Tchuang-Tseu  


Os que estão ligados às coisas materiais não podem libertar-se a si próprios.
Tchuang-Tseu, filósofo chinês ligado ao taoísmo, século III ou II a. C., Book of Tchuang-Tseu  


Todo o homem que pensa que é insuficiente o que tem, é um homem infeliz ainda que seja o dono do mundo inteiro.
Epicuro, 341-270 a.C., filósofo grego, citado por Séneca em Epístolas a Lucílio.


As perturbações derivam de opiniões e juízos insensatos.
Cícero, 106-43 a. C., filósofo e político romano, De Finibus bonorum et malorum


É feliz o sábio que com moderação e firmeza está tranquilo e em harmonia consigo mesmo, não se consumindo com os males, futilidades e entusiasmos, nem se enervando por medo, nem ardendo de desejos e de cobiça.
Cícero, 106-43 a. C., filósofo e político romano, Tusculan disputation


Comentário
Vida, sofrimento e sentido

Ver também:

Vida e Amor
Vida e Amizade
Felicidade
Filosofias de Vida
Os seres Humanos - Condição Humana
Pensamento Existencial
Brevidade da Vida
Morte
Vida Pós Morte

Ciência e Sentido da Vida
O Homem e o Universo


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, sofrimento e dor

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SUPERAR O SOFRIMENTO E A DOR



Acima:
Pintura hindu. Deusa
Mahakali, associada à crueldade da vida e ao sofrimento.


Comentário
Sofrimento e superação do sofrimento

«Viver é sofrer», postula-se num velho texto budista, o Pali Tripitaka, numa tradição tipicamente oriental, a que o Ocidente, e nomeadamente as antigas civilizações mediterrâncias, não são estranhas. 

A Bíblia faz eco dessas tradições, em versos às vezes de grande beleza: «Como todos, ao nascer, respirei o ar comum. Como todos, caí numa Terra de sofrimento. Como todos, a primeira coisa que fiz foi chorar».

São juízos que, obviamente, reflectem directamente a nossa condição humana, e os males continuamente à espreita. O mal é o «tigre escondido, emboscado e pronto a matar os incautos», de que falam as escrituras budistas. Escondido no saco do acaso e da vida, sob a forma de doenças, acidentes infelizes da vida, ou as ameaças da morte, está sempre o sofrimento humano.

Naturalmente, a influenciar as avalições negativas da vida, não deixa de estar também a dicotomia entre os nossos sonhos e a nossa situação real, sempre muito distante desses sonhos. Somos mortais, mas temos sonhos de imortais, disse Séneca. «Ardemos de desejo de encontrar um terreno sólido para ultimar uma fundação segura onde construir uma torre que chegue ao Infinito. Mas todas as nossas infra-estruturas rebentam, e a Terra abre-se em abismos», considerou Pascal, aludindo à mesma dicotomia.

E no entanto, há sempre o outro lado... À nossa maneira, e dentro dos limites que a realidade e o acaso nos concedem, temos também a capacidade de negar o sofrimento. Dentro de nós vive uma teimosa força instintiva, expressa em sonhos, em optimismo, em vontade de viver e de ser feliz.

«Todos somos iguais no nosso desejo de sermos felizes e de ultrapassarmos o sofrimento» (Dalai Lama). E ainda que nunca definitivamente, muitas vezes conseguimo-lo, contra a lógica dos factos e de um mundo que segrega sofrimento e crueldade.

Para o conseguirem, os antigos filósofos gregos e romanos apostaram em filosofias de vida - que passavam pela amizade e por uma via de prazeres comedidos, no caso dos epicuristas, ou por atitudes perante a vida, recusando alimentar desejos materiais insensatos, e medos, ou criando em nós o convencimento de que vale a pena viver, no caso dos estóicos.

Cícero, um dos grandes expoentes do estoicismo antigo, expressa bem essa filosofia de vida, quando afirma: «É feliz o sábio que com moderação e firmeza está tranquilo e em harmonia consigo mesmo, não se consumindo com os males, futilidades e entusiasmos, nem se enervando por medo, nem ardendo de desejos e de cobiça.»

Mas há obviamente outras vias de negar o sofrimento, ou de o minimizar. A fé, por exemplo… A crença em Deus tem sido um bálsamo e uma fonte de conforto humano. «Alegrarmo-nos de Ti, em Ti e por Ti: isso é a felicidade. E não há outra», considerou Santo Agostinho, referindo-se a Deus.

Também a arte, tem sido para muitos seres humanos, uma fonte de beleza e de fuga a um mundo cruel «O papel da arte é tornar o nosso mundo habitável», proclamou William Saroyan. A arte é um bálsamo, num mundo sem alma, de outra forma insuportável, considerou Schopenhauer.

E há também, obviamente, a amizade («A amizade redobra as alegrias e corta os males em metades», diz Francis Bacon), e o amor («Apenas a alma que ama é feliz», diz Goethe).

São algumas das vias – talvez as mais importantes - de se chegar ao que pode ser a maior das nossas vitórias – a vitória, ainda que transitória e nunca definitiva sobre o sofrimento e a crueldade do mundo. 




 


 

 

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