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 ESTRANHOS NO COSMOS

O HOMEM E O UNIVERSO
O sentido da vida


VISÃO CIENTÍFICA DO UNIVERSO
O homem e o Universo; o sentido da vida

A Terra é um insignificante ponto azul, e o nosso sol apenas um entre milhões de sóis de uma pequena galáxia, que é apenas uma entre centenas de milhões de galáxias, onde se verificam constantes explosões de materiais e gases que vão formar planetas e sóis.
As dimensões e natureza do universo ultrapassam o nosso entendimento.
                                                         

A vida é solar: todos os seus ingredientes foram forjados num sol, em seguida reunidos num planeta, através de componentes cuspidos por uma explosiva agonia solar.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


Estamos no terceiro planeta de um Sol derrubado do seu trono central, tornado um astro perdido de uma galáxia periférica, entre milhões de galáxias de um Universo em expansão.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


A Física descobriu no Universo furor, violência e guerra, com explosões e implosões de astros, choques de galáxias, estrelas que se entreparasitam e se entredevoram canibalescamente.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V
 

Sem cessar apagam-se ou explodem sóis, congelam-se planetas; cem cessar, reúnem-se fragmentos e poeiras de astros mortos, girando em espiral sobre si mesmos para dar nascimento a novas galáxias e a novos sóis.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


A minha actual suspeita é que o universo é não apenas mais estranho do que supúnhamos, mas também mais estranho do que podemos supor… Suspeito que há mais coisas no céu e na terra do que aquelas que sonhamos, ou podem ser sonhadas por qualquer das nossas filosofias.
J. B. S. Haldane, biólogo e matemático escocês, Possible Worlds and Other Essays

 

PERSPECTIVA CIENTÍFICA DA VIDA
O homem e o Universo; o sentido da vida

A vida for formada a partir de materiais ejectados de explosões de materiais criados no seio das estrelas


Quando bebemos uma gota de água, bebemos o universo, pois a molécula da água, o H2O, reúne, no seu seio, o hidrogénio - vestígio da explosão inicial, ou Big Bang -, e o oxigénio, produzido na fornalha das estrelas e exalado por elas.
Michel Cassé, astrofísico francês, Desafio do Século XXI, edição portuguesa: Instituto Piaget.


Quando observarem as estrelas, vejam-nas noutra perspectiva. Observem-nas pelo que são: as mães dos átomos de que somos construídos, esses átomos que constituem as espécies mortais e pensantes que admiram o sol como um deus, um pai, ou uma central nuclear.

Michel
Cassé, astrofísico francês, Desafio do Século XXI, edição portuguesa: Instituto Piaget.


As partículas que se constituíram no início do Universo, esses átomos que se forjaram nas estrelas, essas moléculas que se constituíram na Terra ou noutro sítio… tudo isso também está dentro de nós.

Michel Cassé, astrofísico francês, Desafio do Século XXI, edição portuguesa: Instituto Piaget.



ESTRANHOS NO UNIVERSO 
O homem e o Universo; o sentido da vida

A visão que a ciência nos transmite sobre a posição insignificante da Terra face a um Universo virtualmente infinito, alimenta pensamentos angustiados sobre o nosso lugar nesse Universo em que somos positivamente um grão de areia.


Esta é a mais difícil das lições que os humanos têm que aprender. No universo as coisas não são boas ou más, cruéis ou simpáticas, mas simplesmente insensíveis - indiferentes a todo o sofrimento, desprovidas de qualquer intenção.
Richard Dawkins, sociobiólogo inglês, River out of Eden 


O homem sabe finalmente que está só na indiferente imensidão do Universo, de onde emergiu por acidente.
Jacques Monod, 1910-1976, bioquímico francês, Le Hasard et la Necessité


Comentário
Estranhos no cosmos
 


REFLEXÕES FILOSÓFICAS SOBRE O COSMOS
O homem e o Universo; o sentido da vida

A visão científica do universo, e a constatação das suas dimensões incompreensíveis, gerou espanto e angústia em filósofos como Pascal. Qual o sentido da vida, num cosmo como o descrito pela ciência? O homem é um nada num universo grotescamente gigantesco. O homem não está no centro da criação, como os mitos e as religiões faziam crer, e as concepções tradicionais do homem e de Deus perderam sentido. O universo que o homem antigo concebeu – povoado de almas, deuses, luzes, vida - era um universo à nossa medida, habitável, em que a vida tinha sentido, em que a Terra estava no centro dos desígnios de Deus. O Universo revelado pela ciência é bastante diferente.


O eterno silêncio do espaço infinito assusta-me.
B. Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês, Pensamentos   


Quando considero a curta duração da minha vida, e o estar a ser engolido pela eternidade do antes e depois, ou o pouco espaço que eu preencho e vejo, mergulhado na infinita imensidade que ignoro e que não me conhece, tenho medo e espanto-me de estar aqui em vez de estar algures. Porquê agora em vez de antes? Quem me pôs aqui? Por ordem de quem e em que direcção me foi este lugar e tempo atribuído?
B. Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês, Pensamentos   


Viajamos numa vasta esfera, permanentemente mergulhados na incerteza, empurrados de um lado para outro. Sempre que encontramos uma referência e a queremos agarrar, ela desloca-se e perdemo-la. E se a seguimos, ela ilude o nosso abraço, evapora-se, e desaparece para sempre. Sonhamos permanentemente encontrar terreno sólido e alicerces para construir torres que dêem para o Infinito, mas sempre todas essas bases se esboroam, e a Terra teima em abrir-se em abismos.
B. Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês, Pensamentos   


Estamos infinitamente afastados de compreender os extremos da existência, uma vez que o fim das coisas e o seu começo estão desesperançosamente escondidos de nós, encapsulados num impenetrável segredo. Somos igualmente incapazes de ver o Nada de que fomos feitos, e o infinito em que estamos engolidos.
B. Pascal, 1623-1662, filósofo, físico e matemático francês, Pensamentos   


Comentário
Estranhos no cosmos



UM UNIVERSO ABSURDO
O homem e o Universo; o sentido da vida

Qual o sentido da vida num Universo que se apresenta tão distante dos nossos sonhos?
A nossa consciência e inteligência detectaram um universo inabitável, um universo de silêncio, profundamente diferente da Terra e profundamente hostil, em que a vida não tem sentido. Isso afasta-nos desse Universo. Somos uma voz solitária e consciente num Universo absurdo.


O absurdo da vida nasce do confronto entre a voz humana e o desrazoável silêncio do Universo.
Albert Camus, 1913-1960, escritor e filósofo francês, The Myth of Sisyphus


Somos filhos do cosmos, mas, a nossa consciência, a nossa alma, torna-nos estrangeiros nesse cosmos de onde saímos e que não deixa de continuar a ser-nos secretamente íntimo.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V

 
A vida é talvez única, ou pelo menos raríssima no cosmo, e a nossa consciência é talvez solitária no mundo vivo.

E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


O homem apareceu marginalmente no mundo animal, e o seu desenvolvimento mais o marginalizou. Estamos sozinhos sobre a Terra, entre os seres vivos conhecidos.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V


O nosso pensamento, a nossa consciência, dão-nos a conhecer o mundo físico, ao mesmo tempo que nos afastam dele.
E. Morin, sociólogo e filósofo francês, Método V

Comentário
Estranhos no cosmos

Ver também:
Ciência e Sentido da Vida
Os seres Humanos - Condição Humana
Pensamento Existencial


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O HOMEM FACE AO UNIVERSO


     


Acima:
Galáxias (Nasa)

Comentário
Estranhos no cosmos

As interrogações dos primeiros filósofos gregos – Tales de Mileto, Anaximandro, Empédocles… - envolveram o Universo: qual é a forma da Terra? Qual os princípios ou composição das coisas? Por que há o mundo, por que não há o nada?

Antes dos gregos, numa linha igualmente especulativa, e particularmente moderna, também os hindus se interrogaram sobre a criação do Universo: «Nenhum ser foi capaz de fazer este mundo sozinho. Como poderia um deus imaterial criar o que é material?» «Como teria podido Deus fazer o mundo, sem matéria-prima?»

Mas no geral, as perguntas e as respostas mais antigas, sobre o Universo, a sua natureza, e o papel do homem nesse mesmo Universo, foram fundamentalmente míticas e fantasiosas.

Os romanos viam nas estrelas que brilhavam e se deslocavam no céu, o trânsito das almas dos mortos, enquanto os antigos egípcios viram nos céus uma espécie de travessa, que copiava o Nilo e a geografia do seu mundo terreno.

Não eram, no fundo, visões muito diferentes, da visão poética transmitida pela poesia de Shakespeare, quando designa as estrelas como «velas da noite», ou da de Byron, quando descreveu a Via Láctea como uma «enorme e ampla estrada cuja poeira é ouro e o pavimento estrelas».  

As visões encantadas e fantasiosas do Universo começaram a rarear no século XVII. Quando, em 1690, Christian Huygens, especulou sobre a «existência de um grande número de Terras habitadas como a nossa, e como a nossa tão belas», a concepção que subjazia às suas especulações tinham pouco a ver com a poesia de Shakespeare, ou com as míticas visões anteriores. Huygens estava influenciado pelas visões modernas do Universo, protagonizadas por um Kepler ou por um Galileu.

Feynman, um destacadíssimo físico contemporâneo, critica a incapacidade dos poetas em cantarem a estranha composição do Universo revelada pela ciência: «Que homens são os poetas que falam de Júpiter como se ele fosse um homem, mas que calam o facto de ele ser uma imensa esfera de metano e amoníaco rodando sem cessar?», perguntou.

A resposta a tal não é difícil: a visão científica do Universo não impressiona favoravelmente a nossa alma. O Universo revelado pela ciência é profundamente inumano. Não é fácil a poesia cantá-lo…

O nosso lugar no Universo, de acordo com a visão científica, é puramente acidental, gratuito. «A Física descobriu no Universo furor, violência e guerra, com explosões e implosões de astros, choques de galáxias, estrelas que se entreparasitam e se entredevoram canibalescamente» (Edgar Morin).

A ciência revela-nos que o universo não foi criado para nós, e que nem temos qualquer papel significativo nele, ao contrário do que os nossos mitos ancestrais consideravam. As representações do Universo a raios gama, a raios X, ou a infravermelhos, e as ilações da moderna cosmologia, nada têm a ver com o que os nossos olhos espontaneamente detectam, e com aquilo que os nossos sonhos gostariam que o mundo fosse.

Blaise Pascal, no século XVI, acrescenta elementos novos à reflexão existencial tradicional, ao incorporar nela as revelações da ciência moderna. Pascal ficou atónito e angustiado ante as primeiras descrições de um universo infinito, composto por biliões de estrelas, em que a Terra e o homem são pontos insignificantes. Os seus pensamentos sobre tal são de uma actualidade extrema e particularmente representativos das nossas interrogações e especulações face a um Universo cuja essência permanece para nós desconhecida, mas que sentimos como cruel, esmagador, e incompreensivelmente grande e longo, fazendo de nós e das nossas breves vidas simples migalhas microscópicas.

Os elementos mais recentes, trazidos pela ciência, também estão longe de serem confortantes. Charles Darwin, no século XIX, revelou a uma humanidade incrédula que somos descendentes de outras espécies, de símios, e, em última análise, descendentes de bactérias. E a ciência das últimas décadas revelou que somos também descendentes de átomos formados no interior das estrelas e ejectados por elas para o vazio interestelar.

Face à anterior visão mítica ou religiosa, a visão científica do universo pode de facto ser desconfortável. Mas repare-se na forma como Pascal expressa o seu espanto angustiado: «Quando considero a curta duração da minha vida, e o estar a ser engolido pela eternidade do antes e depois, ou o pouco espaço que eu preencho e vejo, mergulhado na infinita imensidade que ignoro e que não me conhece, tenho medo e espanto-me de estar aqui em vez de estar algures».

E repare-se a forma como um cientista como Michel Cassé descreve a nossa ligação ao universo, e o facto de sermos literalmente filhos das estrelas: «Quando bebemos uma gota de água, bebemos o universo, pois a molécula da água, o H2O, reúne, no seu seio, o hidrogénio - vestígio da explosão inicial, ou Big Bang -, e o oxigénio, produzido na fornalha das estrelas e exalado por elas». «As partículas que se constituíram no início do Universo, esses átomos que se forjaram nas estrelas, essas moléculas que se constituíram na Terra ou noutro sítio… tudo isso também está dentro de nós».

E medite-se na forma como Edgar Morin descreve a dinâmica da formação das constituintes do Universo: «Sem cessar apagam-se ou explodem sóis, congelam-se planetas; cem cessar, reúnem-se fragmentos e poeiras de astros mortos, girando em espiral sobre si mesmos para dar nascimento a novas galáxias e a novos sóis».

Não haverá autêntica poesia – ainda que não na sua forma mais tradicional - nas palavras acima, na beleza como se exprimem sentimentos e espantos face ao Universo apresentado pela ciência? Pascal, Morin, ou Cassé podem não ser exactamente poetas, mas não deixam de estar a escrever e a cantar a poesia reivindicada por Feynman, quando descrevem o universo na forma em que o fazem.

 

 

 

 

 

 




 


 

 

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